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IPCA vs. IGPM - Entenda melhor as principais diferenças entre os dois indexadores de inflação

Nossa equipe resumiu as principais informações que você precisa saber para entender de uma vez por todas as diferenças entre o IPG-M e IPCA.

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Equipe Somas
*Atualizado por Lorraine Moreira em 10 de dezembro, 2021

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Igpm e IpcaEntenda as diferenças entre IGP-M e IPCA e tome suas melhores decisões financeiras

Atualmente muito se fala sobre a inflação estar descontrolada, mas é importante saber as principais diferenças entre o IGP-M e IPCA ,além dos fatores que impactam cada um.

Nos próximos parágrafos, você irá conferir as características dos dois índices, ter uma compreensão melhor sobre o assunto e descobrir o impacto de ambos no seu bolso.

Não deixe de utilizar os simuladores gratuitos da Somas que se enquadram no assunto tratado: a calculadora do IGP-M e a do IPCA.

Suas informações estão seguras com a Somas.


IPCA


O IPCA, considerado a inflação oficial do país, é monitorado pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros da economia, a Selic. É calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), e tem o objetivo de medir a variação dos preços de forma geral para as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes em diferentes áreas urbanas.

As cestas dos produtos e serviços que são pesquisados mensalmente para compor o IPC-A têm como componentes itens de diversas naturezas. Além do nosso velho conhecido arroz e feijão, fazem parte também aparelhos eletrônicos, transporte público, atividades de lazer, aparelhos eletrônicos e muitos outros. Cada item listado na cesta do IPC-A, possui um peso específico baseado na média do consumo da população. Logo, esses itens acima possuem um peso maior se comparado a comunicação ou vestuário.

O IPCA mensal é o principal indicador, porém outros índices também são considerados e divulgados mensalmente, gerando uma prévia do indicador mensal. O IPCA-15 segue uma metodologia igual ao IPCA mensal, com a diferença sendo o período de coleta, que vai do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês seguinte.

Ele é crucial para aqueles que buscam fazer investimentos (veja o glossário de investimentos), já que pode ser usado com intuito de calcular o rendimento de certo ativo- você consegue descobrir o retorno que obterá a partir da nossa ferramenta gratuita.


IPCA - Composição

Agora entraremos em mais detalhes relacionados à composição do IPC-A. É essencial entender a cesta de produtos e serviços de forma mais detalhada para compreender os motivos pela disparada do IGP-M (falaremos mais adiante) e não do IPCA neste ano de 2021.

Para a definição da composição da cesta de produtos e serviços, o IBGE realiza a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Essa pesquisa procura medir os principais hábitos de consumo dessas famílias, criando um padrão para cada tipo de gasto no orçamento médio dos brasileiros.

A POF é atualizada pelo IBGE de forma recorrente. Assim como a economia muda, os hábitos de consumo dos brasileiros também mudam. Por exemplo, um brasileiro comum hoje possui um consumo bastante diferente se comparado ao de 15 ou 20 anos atrás. Essa atualização realizada pelo IBGE, garante uma confiança metodológica ao indicador.

A última atualização da composição do IPCA foi feita no início de 2020. Listamos abaixo os principais grupos de gastos que são considerado no IPCA neste ano:

Grupo Peso
Alimentação e bebidas 19,3%
Habitação 15,6%
Artigos de residência 3,8%
Vestuário 4,6%
Transportes 20,6%
Saúde e cuidados pessoais 13,5%
Despesas pessoais 10,7%
Educação 6,1%
Comunicação 5,7%
Fonte: IBGE

O IPCA atual inclui elementos que até poucos anos atrás nem sequer existiam, como por exemplo: serviços de streaming (Netflix, Amazon Prime, etc...) e transportes por aplicativo (Uber, 99, Cabify, etc...). Ao mesmo tempo que itens são inseridos, outros produtos e serviços deixam de ser representativos na composição dos gastos dos brasileiros(as), como por exemplo: locação de filmes e telefone público.

Por último, cada região no Brasil possui um peso específico para a composição do IPCA. Atualmente, os dados são coletados nas regiões metropolitanas de 16 capitais e cada com uma possui peso específico no índice de acordo com métricas definidas pelo IBGE. Atualmente, os pesos de cada região metropolitana segues os pesos abaixo:

Grupo Peso
Rio Branco 0,5%
Belém 3,9%
São Luis 1,6%
Fortaleza 3,2%
Recife 3,9%
Aracaju 1,0%
Salvador 6,0%
Belo Horizonte 9,7%
Vitória 1,9%
Rio de Janeiro 9,4%
São Paulo 32,3%
Curitiba 8,1%
Porto Alegre 8,6%
Campo Grande 1,6%
Goiânia 4,2%
Brasília 4,06%
Fonte: IBGE


Utilização do IPCA

O IPCA é um dos principais pilares da política monetária do Brasil. Há algumas décadas, diferentes governos que passaram pelo Palácio do Planalto seguem como diretriz principal às metas de inflação. Criado em 1999, durante o governo FHC, possui como principal objetivo manter a inflação dentro da faixa estabelecida periodicamente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

No ano de 2021, a meta estabelecida pelo CMN era 3,75% ao ano, com uma tolerância de 1.5% para cima ou para baixo.

Caso os integrantes do CMN entendam um descontrole da inflação por variados motivos, a principal estratégia utilizada para o cumprimento das metas de inflação é o controle via taxa de juros (taxa Selic – juros básicos da economia brasileira). Uma taxa Selic mais alta, tende a frear o consumo dos brasileiros, pois encarece o fornecimento do crédito, dessa forma freando o consumo de crédito e assim, desacelerando o consumo no país como um todo. Já no caso de uma inflação abaixo da meta estabelecida pelo CMN, o mecanismo de redução da taxa Selic acarretará em um aumento do fornecimento de crédito e dessa forma, impulsionará o consumo das famílias brasileiras.


IPCA - Série Histórica (ao ano)

Ano Inflação
2010 5,91%
2011 6,50%
2012 5,84%
2013 5,91%
2014 6,41%
2015 10,67%
2016 6,29%
2017 2,95%
2018 3,75%
2019 4,31%
2020 4,52%
2021 8,24% - Até Outubro

IGP-M


Já o IGP-M tem o objetivo de medir a variação de preços com os principais setores da atividade econômica do país, levando em conta os custos para o produtor, consumidor e construção. É medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE). Em outras palavras, podemos considerar o IGP-M um índice majoritariamente B2B (do setor empresarial) e o IPCA B2C (dos consumidores).

Outro ponto é que ele deve ser considerado na hora de investir, principalmente se estiver atrelado a algum ativo-tal como o Tesouro IGP-M. Você pode conferir nosso artigo sobre como começar a investir caso não saiba.

A formação do IGP-M, que é dividido em três componentes, ajuda a explicar o forte avanço recente. Isso porque o maior peso do índice, com 60% de sua composição, é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA).

Antes conhecido como a inflação do atacado, o IPA é a variação do preço na porta da fábrica ou do agronegócio. Os demais componentes do IGP-M são o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%.

Essa divisão do peso de cada índice sobre o IGP-M considera as contas nacionais, e, neste momento, ajudam a explicar o movimento de alta – já que, com o dólar em alta, o valor de matérias-primas e insumos sobem e pressionam os custos ao produtor.

Boa parte das commodities que o IPA leva em conta, como soja, milho, trigo, minério de ferro, cobre, carnes e todas as proteínas, sofrem influência cambial direta ou indiretamente. Daí o motivo que se ouve muitos “especialistas” dizerem que o IGPM é o índice de inflação mais dolarizado.

Além disso, há forte impacto nos preços atrelados ao IGP-M pelo fato da capacidade produtiva de diversas fábricas no Brasil terem sido diretamente impactadas por um ano de restrições e capacidade produtiva limitada, o que ocasionou um desbalanceamento entre oferta e demanda.

Junto a isso também há o auxílio emergencial que trouxe liquidez imediata para milhares de brasileiros e uma trajetória de curva de juros em mínimas históricas, fatores esses que geram pressão de demanda por parte dos consumidores, agora capazes de antecipar o consumo que pretendiam.

O IGP-M subiu 0,02% em novembro de 2021, após ter aumentado 0,964% em outubro de 2021. Com o resultado, o índice acumulou elevação de 16,77% no ano de 2021.

Esse movimento de perda da correlação entre IGP-M e IPCA já trouxe algumas mudanças significativas. A Quinto Andar, importante empresa que atua no ramo imobiliário em grandes cidades, anunciou recentemente que irá atualizar os contratos de locação via IPCA, não mais com o IGP-M, que durante alguns anos ficou conhecido como o índice do aluguel.

IGP-MIGP-M vs IPCA: série histórica

O debate sobre inflação é amplo e desperta fortes emoções na comunidade financeira, tendo o lado dos que defendem que o Banco Central do Brasil deve elevar os juros de referência prontamente de forma a controlar uma possível explosão inflacionária que virá e o outro lado que argumenta estar tudo sob controle e não há motivos para aumentar a SELIC, como vem demonstrando o IPCA dos últimos 12 meses.

Para as pessoas físicas comuns, de fora da comunidade financeira, uma boa estratégia é buscar sempre indexar suas dívidas no indicador de inflação que segue mais de perto seus rendimentos, seja o IPCA ou o IGPM. Dessa forma, evita acontecer o descasamento de indexadores entre ativo e passivo como aconteceu com muitos em 2020 e agora em 2021. Lembrando que esse descasamento pode machucar bastante as finanças.

Vale ressaltar que os seus investimentos devem apresentar um retorno maior do que a inflação. Caso contrário, você perderá poder de compra. Para saber quais são as melhores decisões financeiras, cadastre-se na assessoria gratuita da Somas.

Esperamos ter deixado mais fácil e compreensível o entendimento sobre se temos uma inflação estrutural ou ocasionada por fatores externos em um ano completamente atípico devido aos efeitos da Covid na economia global.


IGP-M - Série Histórica (por ano)

Ano Inflação
2010 11,32%
2011 5,09%
2012 7,81%
2013 5,52%
2014 3,67%
2015 10,54%
2016 7,19%
2017 -0,53%
2018 7,55%
2019 7,31%
2020 23,14%
2021 16,77% - Até Novembro
Utilize nossas ferramentas gratuitas e interativas para verificar como o poder da inflação afeta os seus investimentos.

Escolha entre nosso simulador gratuito para atualização monetária: Calculadora de Inflação - IPCA ou Calculadora de Inflação - IGPM.


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